Nos últimos anos temos observado o crescimento de pesquisas e investigações sobre o período pós-abolição e estes nos informam o quanto a construção social da liberdade no Brasil foi um processo diferenciado e desigual. A emancipação dos últimos escravos foi sancionada numa só penada, mas chegou de diversas maneiras ao norte e ao sul do país, conforme: o desenvolvimento da economia e sua função no sistema agroexportador; a preponderância ou não da população negra e mestiça nas províncias, cidades, comarcas e povoados; a importância do trabalhador livre nas diferentes agriculturas escravistas; a presença do incentivo estatal ou privado em favor da imigração estrangeira europeia ou asiática; o atraso ou modernização do sistema produtivo da grande lavoura; a força política do latifúndio no pós-abolição e a relevância dos estados e regiões na condução da política brasileira.

Nesse sentido, a configuração do pós-abolição brasileiro foi um processo heterogêneo. Mesmo nos casos de “continuidade”, em que houve a manutenção da escravidão ou da tutela sobre os libertos após o 13 de maio, as condições que viabilizaram a persistência do domínio senhorial variaram em diferentes lugares e situações. Entretanto, não é demasiado lembrar que, para os negros – fossem cativos ou livres –, a abolição foi uma transformação política radical, que afetou profundamente o modo com que eles enxergavam os seus direitos e o seu sentido de pertencimento à nação brasileira.

Este curso visa apresentar a heterogeneidade da configuração do pós-abolição no Brasil através da bibliografia existente sobre os casos da Bahia, Maranhão, Rio de Janeiro e São Paulo. Analisaremos também como intelectuais negros que nasceram em meio a essa época de grandes transformações interpretaram a formação da sociedade brasileira moderna – organizada pelo trabalho livre e instituições republicanas – com destaque aos processos de racialização da cidadania.

 

Matheus Gato de Jesus é professor do Departamento de Sociologia da Unicamp, desenvolve pesquisas nas áreas de relações raciais, sociologia política e da cultura, com ênfase nas áreas do pensamento social brasileiro, da sociologia histórica, dos intelectuais, da literatura, dos regionalismos e dos processos de racialização nos espaços urbanos.
Formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA); Mestre(2010) e Doutor(2015) em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP). Durante o estágio doutoral, foi Visiting Student Researcher Collaborator em Princeton University, com bolsa Sanduíche da FAPESP (2013). Realizou estágio pós-doutoral em Harvard University, com auxílio BEPE-FAPESP (2017-2018).

Datas: 13, 20 e 27 de outubro e 03 de novembro (terças-feiras)

Horário: 19h

Carga horária: 06 horas em aulas + 06 horas-atividades = 12 horas  

  • As horas-atividades referem-se a leituras, filmes ou vídeos indicados pelo ministrante.
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